Raciocínio Jurídico Estratégico

REGULAMENTAÇÃO

O que a OAB recomenda sobre IA
— e o que ninguém leu

Os 4 capítulos da Recomendação OAB 001/2024 traduzidos para o dia a dia do advogado.

28 de fevereiro de 2026 5 min de leitura
Documento da OAB sobre inteligência artificial na advocacia

A recomendação que poucos conhecem

Em 14 de novembro de 2024, o Conselho Federal da OAB aprovou a Recomendação nº 001/2024 — o primeiro documento oficial da Ordem sobre uso de inteligência artificial generativa na prática jurídica.

O documento está publicado no Diário Eletrônico da OAB. Tem 4 capítulos e estabelece diretrizes claras sobre o que o advogado pode, deve e não deve fazer ao usar IA.

Mas quantos advogados leram?

Este artigo traduz a recomendação para linguagem prática. O que ela exige, o que ela veda, e como você pode se adequar.

Estrutura da Recomendação

A OAB 001/2024 está organizada em 4 capítulos:

I

Legislação Aplicável

Enquadramento legal: Estatuto da OAB, Código de Ética, LGPD, CPC e propriedade intelectual.

II

Confidencialidade e Privacidade

Proteção de dados, vedação de treinamento e dever de diligência na escolha da ferramenta.

III

Práticas Jurídicas Éticas

Supervisão humana, verificação de fontes, autonomia profissional e responsabilidade de gestores.

IV

Comunicação sobre Uso de IA

Transparência com o cliente e consentimento informado quando necessário.

Capítulo I — Legislação Aplicável

O primeiro capítulo (Item 1.1) estabelece o enquadramento legal. A recomendação deixa claro que o uso de IA na advocacia deve estar em conformidade com:

  • Estatuto da Advocacia e da OAB — Lei 8.906/1994
  • Código de Ética e Disciplina da OAB — deveres profissionais
  • LGPD (Lei 13.709/2018) — proteção de dados pessoais
  • Código de Processo Civil — deveres processuais
  • Legislação de propriedade intelectual — direitos sobre outputs

Na prática

Antes de usar qualquer ferramenta de IA, verifique se ela está em conformidade com a LGPD. Isso inclui política de privacidade clara, bases legais para tratamento de dados, e respeito aos direitos dos titulares.

Capítulo II — Confidencialidade e Privacidade

Este é o capítulo mais relevante para quem escolhe ferramentas de IA. O Item 2 traz três exigências fundamentais:

1. Proteção dos dados do cliente

Os dados que você insere na ferramenta de IA são dados do seu cliente. A ferramenta precisa protegê-los com:

  • Criptografia em trânsito e em repouso
  • Isolamento entre usuários
  • Controle de acesso

2. Vedação de uso para treinamento

O Item 2.2 da recomendação é explícito:

Item 2.2 — OAB 001/2024

"É necessária diligência na escolha do sistema de IA para garantir que o fornecedor do produto irá proteger informações colocadas no sistema, adotar medidas de segurança e possibilitar a não utilização dos dados fornecidos para treinamento dos sistemas."

Se a ferramenta usa seus dados para treinar o modelo, ela não atende a recomendação da OAB. Simples assim.

3. Dever de diligência na escolha

O advogado tem o dever de verificar as práticas do fornecedor antes de contratar. Não basta usar — é preciso saber o que acontece com os dados.

Na prática — pergunte antes de contratar:

  • Meus dados treinam o modelo?
  • Há contrato de proteção de dados com o provedor (CDPA/DPA)?
  • Quais certificações de segurança a ferramenta tem?

Capítulo III — Práticas Jurídicas Éticas

O terceiro capítulo trata do uso da IA no trabalho jurídico. Os pontos centrais:

Item 3.1

Supervisão humana obrigatória

A IA não substitui o julgamento profissional do advogado. A decisão final é sempre do advogado. Usar output de IA sem revisão é violar a recomendação.

Item 3.2

Verificação de jurisprudência

O advogado deve cumprir os deveres do Art. 77 do CPC. Citou jurisprudência gerada por IA? Verifique a fonte.

Item 3.3

Vedação de dependência excessiva

O advogado deve manter capacidade de trabalhar sem a ferramenta. Dependência excessiva compromete a autonomia profissional.

Item 3.5

Aprendizado contínuo

O advogado deve se envolver em contínua aprendizagem sobre IA e suas implicações para a prática jurídica.

Item 3.6

Responsabilidade de gestores

Sócios e gestores devem garantir que o uso de IA por associados, estagiários e assistentes seja supervisionado.

Item 3.7

Revisão integral de outputs

Em litígios, as informações fornecidas ao tribunal devem ser precisas e verificadas. Revisar integralmente antes de apresentar.

Na prática — fluxo de trabalho em 3 etapas:

1 Você define
2 IA executa
3 Você verifica

Esse fluxo garante supervisão humana em todas as etapas.

Capítulo IV — Comunicação sobre Uso de IA

O quarto capítulo trata da relação com o cliente.

Item 4.1

Transparência

O advogado deve ser transparente sobre o uso de IA em seu trabalho. Se usa ferramentas de IA para pesquisa, redação ou análise, o cliente tem direito de saber.

Item 4.3.1

Consentimento informado

Em alguns casos, pode ser necessário obter consentimento do cliente antes de inserir seus dados em uma ferramenta de IA.

Na prática

Considere incluir cláusula sobre uso de IA no contrato de honorários, especialmente para clientes com dados sensíveis.

O que muda no seu dia a dia

A Recomendação OAB 001/2024 não proíbe o uso de IA. Ela regulamenta.

Antes da recomendação Depois da recomendação
Usar qualquer ferramenta Verificar conformidade antes de contratar
Confiar nos outputs Revisar integralmente
Citar jurisprudência da IA Verificar fonte original
Não informar o cliente Ser transparente sobre uso de IA
Depender da ferramenta Manter autonomia profissional

Checklist de conformidade para advogados

Use este checklist para verificar se você está em conformidade com a OAB 001/2024:

Escolha da ferramenta (Capítulo II)

Verifiquei se a ferramenta tem política de privacidade em conformidade com LGPD
Confirmei que meus dados NÃO são usados para treinamento
A ferramenta tem certificações de segurança (ISO 27001, SOC 2)
Há DPO ou canal de privacidade para contato

Uso no trabalho (Capítulo III)

Reviso integralmente todo output antes de usar
Verifico fontes de jurisprudência citadas pela IA
Mantenho capacidade de trabalhar sem a ferramenta
Busco capacitação contínua sobre IA

Comunicação com cliente (Capítulo IV)

Sou transparente sobre uso de IA
Quando necessário, obtenho consentimento do cliente
Documento o uso de IA em casos sensíveis
Precisa de uma ferramenta que já passou por essa verificação? A Apolus documenta conformidade com cada item da OAB 001/2024. Experimente grátis →

Por que isso importa para sua carreira

A Recomendação OAB 001/2024 é um sinal claro: a Ordem está olhando para o uso de IA na advocacia.

Advogados que ignorarem as diretrizes estão assumindo risco:

Risco ético

Violação do Código de Ética

Risco profissional

Responsabilidade por outputs incorretos

Risco reputacional

Perda de confiança do cliente

Por outro lado, advogados que se adequarem terão diferencial competitivo. Poderão dizer: "Uso IA de forma responsável, seguindo as diretrizes da OAB."

Ferramenta que já segue a recomendação

A Apolus.ai foi construída para atender a Recomendação OAB 001/2024 desde o primeiro dia.

Vedação de treinamento (Cap. II) CDPA Seção 17 — Training Restriction contratual
Proteção de dados (Cap. II) Criptografia AES-256, isolamento por usuário
Diligência na escolha (Cap. II) Certificações ISO 27001, SOC 2 documentadas
Supervisão humana (Cap. III) Método RJE: Deliberação → Execução → Verificação
Verificação de fontes (Cap. III) Links para jurisprudência oficial
Capacitação contínua (Cap. III) Escola RJE com módulos de treinamento

Publicamos um Anexo de Conformidade com mapeamento item por item da recomendação.

Transparência documentada

A Apolus mapeia conformidade com a OAB 001/2024 artigo por artigo. Veja exatamente como atendemos cada requisito.

Acessar Anexo de Conformidade →

Ou conheça nossa ferramenta: ChatRJE →